O Mestrado Integrado em Medicina da UAlg

13/02/2013

O Mestrado Integrado em Medicina da UAlg

Neste último ano do curso cerca de metade dos alunos encontra-se a estagiar no estrangeiro – Inglaterra, Índia, Cabo Verde, Austrália, Timor e Moçambique. A partir de Julho, diz José Ponte, os alunos “estarão em pé de igualdade com os recém-formados das outras escolas médicas portuguesas”. Em Novembro ocorre o exame de acesso à especialidade médica. Luís Castelo-Branco, que antes de enveredar pela Medicina possuía já um mestrado integrado em Ciências Farmacêuticas, na Faculdade de Farmácia de Coimbra, confessa que sente “um pouco de ansiedade” em relação à prova, por se tratar de “um exame consensualmente considerado desajustado, e pouco avaliativo das competências clínicas, mas infelizmente ainda é o método de selecção da especialidade médica”.

José Ponte defende uma avaliação de carácter prático, e não um “teste à base de memorização, universalmente rejeitado”. Sobre o curso de que é director, afirma: “Espero que seja uma influência benéfica para todos os outros cursos de Medicina no país – um laboratório de experimentação de uma metodologia nova de educação médica”. Ao nível do corpo docente, o Algarve beneficia do facto de estar ligado a mais de uma centena de destinos europeus, com voos a preço acessível. “É fácil termos a ensinar, em determinada especialidade, nomes de referência a nível mundial – convidamos professores que proporcionam a abertura de novos horizontes para os alunos”.

O clima da região, diz José Ponte, é também um estímulo para atrair docentes externos: “Dão aulas, e aproveitam para jogar uma partida de golfe. Mas se o Algarve é assim tão atractivo, por que razão o Hospital de Faro abre vagas para especialistas e ficam desertas? “As pessoas tendem a fixar-se nos locais em que se formam, criam raízes”.

António Pêgas já constituiu família em Faro. O colega Luís Castelo- Branco confidencia: “Não tinha muitas intenções de por cá ficar”. Mas agora, depois de ter tomado o gosto à cidade, “pondera muito seriamente começar a carreira médica nesta região do Sul do país”. A razão por que deixou a área farmacêutica foi por ter concluído que existe uma “desvalorização do papel do farmacêutico no nosso sistema de saúde, comparativamente com aquilo que poderia e deveria ser o seu papel”.

Publicado in Jornal Público em 13.2.2013