PBL (Problem Based Learning)

O que é o PBL?

O PBL (Problem-Based Learning) será o método responsável pelo ensino das bases teóricas da medicina. Os elementos essenciais que caracterizam um curso que utiliza o método PBL são:

  • Não existem aulas teóricas organizadas numa estrutura de disciplinas suportadas por um sistema de departamentos. O ensino das ciências básicas e clínicas é feito exclusivamente por PBL com apoio de seminários.
  • Dado ser um curso com uma forte componente prática, o ensino clínico começa logo no primeiro ano.

No PBL a responsabilidade da aprendizagem é transferida do professor para o estudante. O estudante deixa de ser um elemento passivo, sentado numa sala a tomar notas durante a aula, para passar a ser o principal gerador de conhecimento ao procurar activamente a informação que necessita para resolver um determinado problema. O ensino, ou mais correctamente, a aprendizagem do aluno, é assim orientada pelos problemas que lhe são apresentados e que este tem de resolver autonomamente. O papel do professor neste sistema passa a ser, fundamentalmente, o de um orientador do trabalho dos estudantes.

O PBL é um sistema particularmente adequado a estudantes já licenciados por assentar fortemente na independência e responsabilidade dos estudantes, na sua maturidade e capacidade de trabalho. É também um sistema em que o trabalho de grupo, colaborativo, se reveste de enorme importância. Algumas das vantagens resultantes deste método de ensino são uma melhor preparação para a resolução de problemas reais, uma maior facilidade na busca de informação, uma maior familiaridade com as fontes de informação, uma maior facilidade na aplicação do conhecimento adquirido, maior retenção do conhecimento adquirido e, de um ponto de vista mais subjectivo, um processo de aprendizagem mais estimulante e interessante.

Como é que funciona o PBL?

No processo de aprendizagem PBL, os estudantes são confrontados com um problema (caso clínico), tendo que o resolver. 

A análise de um caso clínico dura, em média, uma semana e inicia-se com uma sessão de uma hora e meia, onde o tutor apresenta o caso (uma pessoa com um conjunto de sintomas). Seguidamente, os estudantes fazem uma análise preliminar do caso apresentando hipóteses para explicar o que lhes foi apresentado; desta discussão preliminar surge um conjunto de dúvidas/questões que precisam de ser respondidas para poderem confirmar as suas hipóteses. Estas dúvidas são então estruturadas num conjunto de objectivos de aprendizagem que, no fim da sessão inicial, são repartidos pelos estudantes para estes dissecarem até à sessão seguinte. Para atingirem os objectivos delineados na sessão inicial, os estudantes podem recorrer a todas as fontes de informação que desejarem, desde livros de texto a bases de dados médicas online, a simuladores anatómicos e informáticos, a investigadores, etc. A sessão seguinte, com duração de 3 horas, é onde a maior parte do trabalho se desenrolará. Os estudantes, munidos com a informação que recolheram desenvolvem um diagnóstico seleccionando das hipóteses preliminares as que se adequam e melhor explicam o caso. Paralelamente, o tutor vai fornecendo informação adicional (por exemplo, resultados de exames complementares) que, em conjunto com os conhecimentos adquiridos pelos estudantes, vai permitir “resolver” o caso. Durante esta sessão novos objectivos de aprendizagem surgirão e os estudantes regressam ao processo de busca de informação até à sessão seguinte. Na última sessão, que dura uma hora e meia, analisam-se e resolvem-se as últimas questões e fecha-se o caso. O processo repete-se para um novo caso.

Os casos que serão analisados com este método, constituem de facto a coluna vertebral do plano curricular. Este será completado com seminários dados por especialistas, trabalho clínico nos hospitais e centros de saúde do Algarve, e trabalho pessoal e de grupo dos estudantes.

É fundamental os estudantes perceberem que a essência da sua formação depende deles próprios. Do seu esforço e autodisciplina para o estudo e o trabalho em equipa. Assim, uma atitude proactiva, dinâmica, de colaboração e um desejo de aprender intenso são, ao nosso ver, as chaves para uma boa formação médica no contexto deste método.